A porcelana nasceu na China. Foi durante a dinastia Tang (618–907) que os oleiros chegaram à massa branca, fina e translúcida que conhecemos, e por séculos o segredo da queima em altíssima temperatura ficou guardado lá. Na Europa, a peça chinesa era tão disputada que ganhou o apelido de “ouro branco”.
Só no século XVIII os europeus desvendaram a fórmula: em 1710, Augusto II, da Saxônia, abriu em Meissen a primeira manufatura de porcelana do continente. Mesmo assim, pintar porcelana continuou sendo ofício de fábrica — as tintas tradicionais precisam de fornos que passam de 700 °C.
O que mudou o jogo foi o século XX: surgiram tintas de baixa temperatura, que se fixam a cerca de 150 °C. Com elas, a pintura sobre vidro, cristal e porcelana saiu da manufatura e chegou à mesa da cozinha. Hoje dá para fazer peças decorativas e de uso diário, com acabamento profissional, usando o forno do fogão de casa.